Arquivo da tag: 35ª Mostra de Cinema

Balanço da Mostra – Las Acácias

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Esta é mais uma prova de que no cinema argentino, pouco pode se transformar em muito. “Las Acácias” é o que talvez podemos chamar de road movie. Dirigido por Pablo Giorgelli o filme aborda a viagem de três personagens para Buenos Aires a bordo de um caminhão.

O motorista é Rúben, um homem aparentemente seco, reservado e silencioso. Aliás, o silêncio é uma constante no filme, já que este tem pouquíssimos diálogos (mas, nem por isso menos rico e interessante). Em um determinado momento, na fronteira entre Paraguai e Argentina, ele dá carona a uma mulher que está acompanhada de um bebê de colo.

Somente depois de mais de meia hora de filme, descobrimos que o nome dessa mulher é Jacinta, e sua filhinha Anahí. Na verdade, pouco se sabe sobre a vida e trajetória desses três personagens, e algumas informações são dadas ao público aos poucos, nada explícitas, sendo que, às vezes, atitudes e olhares dizem muito mais do que palavras.

O tempo todo, a relação dos personagens é intensa, mesmo sem palavras, contato físico, ou mesmo, um simples olhar, mesmo assim, num filme relativamente simples, esses personagens conseguem conquistar o público, transformando “Las Acácias” em um filme sutil, mas emocionante.

Balanço da Mostra – Desapego

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Sem dúvidas, este é um dos melhores filmes que a equipe do Conexão Cult conferiu na 35ª Edição da Mostra. Dirigido por Tony Kaye, o longa aborda algumas semanas da vida de Henry Barthes, interpretado por Adrien Brody, que, aliás, está sensacional no papel de um professor substituto da rede pública de ensino americana.

A princípio, o filme pode dar a impressão de que mais uma vez aquela velha fórmula de professor que chega numa escola do subúrbio com a missão de enfrentar alunos mega problemáticos e no final tudo fica lindo se repete. Felizmente, em Desapego as coisas não se resumem a isso.

De fato, Barthes assume uma turma de alunos bem difícil e se empenha em atingir a sensibilidade desses estudantes. Paralelamente, algumas cenas em flashback mostram um passado que atormenta o protagonista, que além de dar aulas divide seu tempo em dedicar atenção ao avô, que está internado em uma clínica para idosos com uma doença em estado terminal, e em ajudar uma jovem prostituta.

O filme é pessimista. Em determinados momentos, o diretor muda o enfoque da questão e aborda a maneira como os professores sofrem com a falta de estrutura da rede de ensino, além do desrespeito por parte de alunos e familiares. Sem final feliz, o filme faz uma dura crítica sobre o modo como a sociedade, num aspecto geral, tem lidado com a educação das futuras gerações.

Mostra tem sessões gratuitas de filmes

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Amarcord terá sessão ao ar livre no Ibirapuera

Até 3 de novembro, a 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo realizará sessões gratuitas para o público em geral na FAAP e no vão livre do Masp.

Além deles, a 12ª Edição do Festival da Juventude fará sessões com entrada franca no Cine Livraria Cultura, no Cine Sabesp e no MIS. O Festival receberá alunos da escola pública, que serão levados ao cinema pela Secretaria Estadual de Educação. Para participar, é necessária a apresentação de documento que comprove a matrícula.

Entre os filmes selecionados estão “O Vira Casaca” (dia 29, às 23h30 e dia 31, às 18h30), de Anna Kazejak, e “Malditos Cartunistas” (dia 27, às 21h10), de Daniel Paiva e Daniel Garcia. A indicação etária é a partir de 14 anos.

No MASP, as sessões ao ar livre contam com filmes como “Lope” (dia 31, às 19h30), de Andrucha Waddington e “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” (dia 25, às 19h30), de Woody Allen.

Já na FAAP, a programação inclui o documentário “Era Uma Vez… Laranja Mecânica” (dia 25, às 19h), de Antoine de Gaudemar, entre outros.

Além disso, no próximo domingo, 30 de outubro, a cópia restaurada de Amarcord, de Fellini, será exibida ao público na área externa do auditório do Ibirapuera. O filme se passa em uma pequena cidade italiana durante os anos 30, período do fascismo. Várias histórias se cruzam com as de uma família cujos membros assistem a inesquecíveis eventos, criados a partir das lembranças da infância de Fellini.

Destaques da 35ª Mostra Internacional de Cinema

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A partir de hoje tem início um dos eventos mais aguardados pelos cinéfilos paulistanos, a 35ª Mostra Internacional de Cinema.

Este ano, como já informamos aqui, o evento chega mais enxuto, com cerca de 250 filmes inéditos, além de retrospectivas de grandes clássicos. Mesmo assim, é fácil se perder em meio a tantas opções, portanto, aqui vão algumas dicas do que assistir nesses 14 dias de evento:

O Garoto da Bicicleta
Escolhido para abrir a Mostra, o filme dirigido pelos irmãos belga Jean-Pierre e Luc Dardenne tem como protagonista Cyrill, um garoto de 11 anos que luta contra o mundo para encontrar o pai que o deixou temporariamente em um abrigo para crianças. Por acaso, ele conhece Samantha, uma cabeleireira que o abriga em sua casa nos finais de semana. O centro do filme é a relação afetiva que se estabelece entre ambos. Os diretores faze um filme sobre perdão, compaixão e responsabilidade, tocante, mas não sentimentalista.


Tudo pelo poder
Quarto filme dirigido por George Clooney, o longa conta com atores hollywoodianos de destaque, como Ryan Gosling, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, além do próprio Clooney. Com roteiro baseado em uma peça de Beau Willimon, a trama se passa nos últimos dias de campanha para a eleição presidencial nos EUA, quando um jovem marqueteiro tenta abafar um escândalo político envolvendo seu candidato.

Era uma vez na Anatólia
Filme do diretor turco Nuri Bilge Ceylan e premiado em Cannes. Com 157 minutos de duração, proporciona um mergulho no interior da Turquia, na Anatólia, em que os habitantes de um povoado procuram um corpo enterrado.


Habermus Papam
Cotado previamente para ser o filme de abertura da Mostra, Habermus Papam, do diretor e roteirista Nanni Moretti, faz um registro peculiar dos bastidores de um conclave. Enquanto a população espera ansiosa para saber o nome do novo papa, os cardeais precisam lidar com o colapso nervoso do papa eleito. É uma fábula religiosa que engloba humor, tensão e crítica.

As Canções
Neste documentário, o diretor Eduardo Coutinho ajuda 42 pessoas a escolherem uma música e a falarem sobre sua relação afetiva com ela.

Pater
Com produção modesta, feito em digital e elenco pequeno, o filme foi um dos destaques do Festival de Cannes. No meio fio entre a ficção e o documentário, o longa discute o poder e a representação com um presidente em fim de carreira e seu primeiro-ministro.


O futuro
Com um gato-narrador, um protagonista que pode parar o tempo e uma camiseta que perambula pelas ruas, “O Futuro” pode até parecer uma fábula absurda, mas, na verdade é um drama contemporâneo, cujos personagens são pessoas comuns. Com direção da artista plástica e cineasta Miranda July, conta a história de um casal na casa dos 30 anos sem muitas perspectivas. Os dois resolvem adotar um gato – aliás, o narrador – e rever suas prioridades e mudar de vida.

Las Acacias
Nesse “road movie”, um caminhoneiro vai do Paraguai à Argentina na companhia de uma mulher e um bebê. Vencedor do prêmio Câmera de Ouro no Festival de Cannes 2011.

A ilusão cômica
Adaptação contemporânea da peça teatral homônima de Pierre Corneille, do século 17. Conta a história de um pai que contrata um mágico para procurar seu filho.


Fausto
Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza e um dos filmes mais aguardados desta edição da Mostra, Fausto será exibido na cerimônia de encerramento do evento. O filme é uma versão livre de Alexander Sokurov para a lenda imortalizada na literatura por Goethe. Além disso, é considerado o capítulo final da Tetralogia do Poder de Sokurov, composta por “Moloch” (99), sobre Hitler, “Taurus” (2011), sobre Lenin, e “O Sol” (2005), sobre o imperador japonês Hirohito.

Exposição de obras de Paradjanov estreia hoje no MIS

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Como parte da programação da 35ª Mostra Internacional de Cinema, é inaugurada hoje, no Museu da Imagem e do Som (MIS) a exposição “Paradjanov, O Magnífico”, que traz pela primeira vez ao Brasil cerca de 60 trabalhos do cineasta georgiano Sergei Paradjanov (1924-1990), entre pinturas, instalações, colagens e desenhos. A mostra conta com montagem de Daniela Thomas e Felipe Tassara.

Paralelamente, Paradjanov também ganha uma retrospectiva na 35ª Mostra, com a exibição de nove de seus filmes, entre eles as obras-primas Sombras Dos Ancestrais Esquecidos (1965), A Cor da Romã (1968) e A Lenda da Fortaleza Suram (1984), além do documentário Paradjanov, O Rebelde, de Patrick Cazals.

Aclamado como um dos maiores cineastas soviéticos que surgiram após a época de ouro de Sergei Eisenstein e Alexander Dovzhenko, Paradjanov é considerado, hoje, um dos nomes mais criativos e originais da história do cinema mundial.

Contemporâneo de realizadores como Federico Fellini, Jean-Luc Godard, François Truffaut, Luis Buñuel e Michelangelo Antonioni, entre outros, Sergei Paradjanov foi alvo da censura do regime soviético devido ao estilo original e controverso do seu cinema, que ia contra os princípios do realismo socialista. Considerado persona non grata, muitos dos seus filmes foram censurados e o cineasta perseguido, sendo preso durante cinco anos.  Na Ucrânia, Paradjanov realizou, em 1964, o filme que lhe traria a fama mundial, “Shadows of Forgotten Ancestors” – premiado em todo mundo. O cineasta recebeu o Prêmio da Crítica da 11ª Mostra com o longa “A Lenda da Fortaleza Suram”.

Paradjanov, O Magnífico
Onde? Museu da Imagem e do Som (MIS), Av. Europa, 158
Quando? Até 20 de novembro, de terça a sábado, das 12h às 22h, domingos e feriados, das 11h às 21h
Grátis

 

35ª Mostra Internacional de Cinema

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Vem aí o maior evento de cinema da cidade de São Paulo, a 35ª Mostra Internacional de Cinema , que será realizada do dia 21 de outubro a 3 de novembro. E este ano o evento estará um pouco menor, com 250 títulos dos mais variados países, que serão exibidos em 22 salas da cidade.

O cartaz da Mostra, que todos anos traz um layout diferenciado de um artista consagrado, esse ano será de autoria de Mauricio de Sousa, trazendo o seu primeiro personagem de quadrinhos, o Piteco, criado em 1964.

Além dos filmes, será inaugurada em 19 de outubro como parte da programação, a exposição com obras do cineasta soviético Sergei Paradjanov. Montada por Daniela Thomas e Felipe Massara, a exposição acontece até 20 de novembro, no Museu da Imagem e do Som – MIS. Alem da exposição, a Mostra apresenta ainda uma retrospectiva de Paradjanov e o documentário “Paradjanov, o Rebelde”, de Patrick Cazals.

A 35ª edição da Mostra reúne também retrospecitvas, Mostra Brasil, Festival da Juventude e o lançamento, em parceria com a Cosac Naify, do livro “Conversas com Scorsese”.

A grande novidade desse ano será a Itinerância da Mostra, sendo que 10 títulos selecionados poderão ser vistos nas unidades do SESC nas cidades de: Piracicaba, Rio Preto, São José dos Campos, Santos, São Carlos, Ribeirão Preto, Sorocaba e Araraquara.

Vale conferir em breve a programação e indicações do Conexão Cult!