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Cinema argentino em destaque no SESC Santana

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Ninho Vazio integra a exibibição de filmes de Daniel Burman

Durante o mês de abril, o SESC Santana vai exibir em sua programação de cinema uma seleção de filmes do diretor, produtor e roteirista argentino Daniel Burman.

Burman começou sua carreira no início de 1990 com a produção de curtas-metragens. Seu primeiro longa, ‘Un Crisantemo Estalla en Cinco Esquinas’, foi lançado em 1998 e é considerado o precursor do chamado Novo Cinema Argentino, movimento dominado por novos diretores que produziram filmes com orçamento reduzido e se voltaram para questões atuais da sociedade Argentina como, por exemplo, a crise econômica de 2001 e as mudanças que ela acarretou na vida dos cidadãos.

A imigração judaica é um tema bastante recorrente nos filmes de Burman, uma questão quase biográfica, já que o diretor é descendente de judeus poloneses. Outro assunto caro ao diretor é a família, seja sua criação ou seu desfacelamento.

Na programação do SESC estão inclusos os três últimos filmes do diretor, nos quais a questão familiar aparece de forma bastante pungente.

Veja a programação abaixo:

As Leis de Família – dia 10/04, terça-feira, às 20h
Ariel Perelman (Daniel Hendler) é advogado como seu pai (Arturo Goetz), mas seguiu um caminho diferente na profissão. Enquanto seu pai representa uma série de pequenos clientes e tem uma vida alegre, Ariel trabalha como defensor público e dá aulas em uma universidade. Sua vida é organizada, mas sem grandes emoções, até que conhece Sandra (Julieta Díaz), uma de suas alunas, por quem se apaixona. Quando ela deixa o curso, ele passa a frequentar as aulas de Piates que ela ministra, apenas para ficar ao seu lado.

Ninho vazio – dia 17/04, terça-feira, às 20h
Leonardo (Oscar Martína) e Martha (Cecília Roth) formam um casal de meia idade que precisa lidar com a saída de casa dos filhos. Para ocupar o tempo ela resolve retornar à faculdade e à vida social intensa, enquanto ele, um escritor renomado, decide por ser cada vez mais introspectivo. Este contraste faz com que a crise no casamento deles se acentue cada vez mais.

Dois Irmãos – dia 24/04, terça-feira, às 20h
Suzana (Graciela Borges) é egocêntrica e valoriza o próprio sucesso acima de tudo. Por esse motivo, deixou exclusivamente a cargo do irmão Marcos (Antonio Gasalla) a tarefa de cuidar da mãe. Quando esta morre, Marcos se vê solteiro aos 64 anos e sem grandes realizações profissionais. Ao ser expulso por Susana do apartamento onde sempre morou com a mãe e obrigado a sair de Buenos Aires, vai buscar asilo em um resort no Uruguai. Lá, ingressa em um grupo de teatro, desenvolve amizades e recupera a vontade de viver. Mas, as notícias de seu progresso desagradam a irmã.

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Balanço da Mostra – Las Acácias

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Esta é mais uma prova de que no cinema argentino, pouco pode se transformar em muito. “Las Acácias” é o que talvez podemos chamar de road movie. Dirigido por Pablo Giorgelli o filme aborda a viagem de três personagens para Buenos Aires a bordo de um caminhão.

O motorista é Rúben, um homem aparentemente seco, reservado e silencioso. Aliás, o silêncio é uma constante no filme, já que este tem pouquíssimos diálogos (mas, nem por isso menos rico e interessante). Em um determinado momento, na fronteira entre Paraguai e Argentina, ele dá carona a uma mulher que está acompanhada de um bebê de colo.

Somente depois de mais de meia hora de filme, descobrimos que o nome dessa mulher é Jacinta, e sua filhinha Anahí. Na verdade, pouco se sabe sobre a vida e trajetória desses três personagens, e algumas informações são dadas ao público aos poucos, nada explícitas, sendo que, às vezes, atitudes e olhares dizem muito mais do que palavras.

O tempo todo, a relação dos personagens é intensa, mesmo sem palavras, contato físico, ou mesmo, um simples olhar, mesmo assim, num filme relativamente simples, esses personagens conseguem conquistar o público, transformando “Las Acácias” em um filme sutil, mas emocionante.

Medianeras

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Martin é designer. Vive numa quitinete em Buenos Aires. Hipocondríaco, está em recuperação pós-crise de síndrome do pânico, depressão e outros males da vida moderna. É solitário e cheio de manias. Não viaja de avião e também não utiliza qualquer outro meio de transporte que não seja suas pernas. Onde quer que vá, carrega uma inseparável mochila equipada com remédios, câmera fotográfica, capa de chuva, ipod, lanterna, além de um guia de como agir em situações extremas.

Mariana é arquiteta, embora nunca tenha construído alguma casa, prédio ou o que quer que seja. Atualmente trabalha como vitrinista de lojas em Buenos Aires. Após o recente término de um namoro, tenta reaprender a viver sozinha, enquanto tem alguns manequins como companhia no pequeno apartamento onde mora. Uma fobia não permite que entre em elevadores, por isso, sobre e desce diariamente as escadas dos 8 andares que separam seu apartamento da rua.

Embora não se conheçam, Martin e Mariana moram na mesma rua, em prédios opostos. Andam pelos mesmos lugares mas um nunca reparou a existência do outro. Possuem uma série de coisas em comum, entre elas, a solidão e o fato de passarem horas diante de seus computadores, desconectados dos relacionamentos humanos. No fundo, precisam de uma certa mãozinha do destino para que se encontrem e construam uma história em comum.

Nesse universo, Buenos Aires figura como a terceira personagem do filme, cuja arquitetura parece ser planejada para manter as pessoas afastadas, isoladas em seu mundo. É daí que vem o nome “Medianeras”, proveniente das paredes cegas dos edifícios, sem janelas.

Medianeras é mais um exemplo do bom cinema argentino, que com humor e sensibilidade consegue transformar uma história comum, daquelas que podem acontecer com qualquer um de nós e certamente se repete diariamente em todos os cantos do mundo, em uma história tão bem contada que chega a render um excelente filme. Para quem não viu, fica a dica!

Conexão Cult indica: “Um conto chinês”

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Em cartaz em São Paulo, “Um conto chinês” é mais um exemplar do bom cinema argentino.

No filme, o sempre ótimo Ricardo Darin está no papel de Roberto, um ranzinza e sistemático dono de uma loja de ferragens que vê sua rotina alterada quando um chinês aparece na sua vida após ser roubado e arremessado de um táxi em Buenos Aires.

O chinês é Jun, um jovem que ruma à capital argentina em busca do tio, o único parente vivo, após uma vaca literalmente cair do céu sua noiva morrer no acidente.

Roberto não sabe falar uma palavra em chinês, e Jun não fala espanhol, o que resulta em algumas cenas nem engraçadas, mas ao mesmo tempo reforça a conexão entre esses dois personagens enquanto Roberto busca desesperadamente recuperar a sua rotina de solidão e ajuda Jun a localizar seu tio.

Esses elementos fazem com que “Um conto chinês” resulte em uma comédia dramática com uma história sensível e de empatia certa com o espectador. Não é a toa que o filme levou cerca de um milhão de pessoas às salas de cinema da Argentina.